Comissão retorna com lançamento de coletivo de cientistas

O grupo, formado pela secretaria regional da SBPC-MG, o Instituto René Rachou da Fiocruz-Minas, a presidência da Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia da ALMG, professores e pesquisadores de várias instituições de ensino superior e de institutos federais de educação do Estado, tem por objetivo apresentar sugestões de políticas públicas para superação da crise pós-pandemia

Na retomada de seus trabalhos, a Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) realizou uma audiência pública nesta terça-feira (22/9/20), para marcar o lançamento do grupo Inteligência Coletiva, que tem por objetivo contribuir para a construção de políticas púbicas para o enfrentamento da crise sanitária e humanitária que afeta o Estado.

O Inteligência Coletiva é formado pela secretaria regional da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC-MG), o Instituto René Rachou da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz-Minas), a presidência da Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia da Assembleia, professores e pesquisadores de várias instituições de ensino superior e de institutos federais de educação do Estado.

Consulte o resultado e assista ao vídeo completo da reunião.

De acordo com um dos coordenadores do coletivo, Luciano Mendes de Faria Filho, secretário regional da SBPC, a ideia é expandir redes de interlocução e cooperação, em conjunto com a sociedade civil organizada, em todo o Estado para apresentar sugestões de fortalecimento da ciência, tecnologia e inovação, com vistas à recuperação econômica de Minas, com a proteção das populações em situação vulnerável, respeito ao meio ambiente e às várias espécies que habitam o planeta.

A presidenta da comissão e componente do coletivo, deputada Beatriz Cerqueira (PT), explicou que o Inteligência Coletiva começou a ser formatado desde o início da pandemia. Em cinco meses foram realizados vários encontros virtuais. “O grupo é uma possibilidade de compartilhamento, a serviço do bem comum”, resumiu a parlamentar.

O primeiro encontro do Inteligência Coletiva, realizado em julho, resultou na elaboração de uma carta entregue, em agosto, ao governador Romeu Zema, defendendo o fortalecimento da ciência, tecnologia e informação, assim como do Sistema Único de Saúde (SUS), como forma de retomar o desenvolvimento e garantir um futuro melhor para o Estado.

Nessa carta, lida na audiência pela deputada, o coletivo apresenta três reivindicações em relação à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig):

  • recomposição do orçamentoda Fapemig correspondente a 1% dos recursos tributários do Estado, conforme está definido na Constituição mineira;
  • retomada da totalidade das bolsas de iniciação científica dos alunos da graduação e do ensino médio, que estão suspensas desde o ano passado;
  • fortalecimento da Fapemig como instituição estratégica para a superação da criseem que se encontra o Estado.

Este mesmo documento será entregue também ao presidente da Assembleia, deputado Agostinho Patrus (PV).

O professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Minas Gerais (IFMG), Aurélio Alves Ferreira, lembrou que a Fapemig é a única agência de desenvolvimento de pesquisa de Minas e tem papel estratégico para o Estado. Seu fortalecimento é uma forma de conter a fuga de cientistas para outros países.

Segundo ele, apenas no ano passado 930 jovens cientistas brasileiros migraram para 34 países, em função dos cortes de investimentos em ciência que têm ocorrido no Brasil. “O grupo tem a ver com este tipo de resgate, com a tentativa de pensar o desenvolvimento da ciência e o combate à exclusão no nosso Estado”.

Também uma das coordenadoras, a diretora do Instituto René Rachou, Zelia Profeta, afirmou que já foi produzido um diagnóstico sobre os principais desafios apresentados pela pandemia e o próximo passo do coletivo é pensar políticas públicas para superação dos problemas. Já está pronta uma campanha de defesa da Fapemig, a primeira ação do coletivo. “Um estado que não tem a ciência, tecnologia e inovação como estruturante, está fadado a ter pobreza e muita injustiça”, advertiu.

ALMG