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Cooperação internacional para acabar com a pobreza

Reiko Kuroda, pesquisadora do Departamento de Ciências da Vida na Universidade de Tóquio, considera fundamental o desenvolvimento de políticas públicas que promovam a inovação a partir da cooperação internacional para ajudar a resolver grandes problemas como pobreza, educação e migração. "Inovação é a chave para melhorar a qualidade de vida das pessoas", propôs. A pesquisadora participou do debate "O papel fundamental da inovação científica", que foi realizado nesta terça-feira (26/11), com a participação de especialistas do Brasil e de outros países.
Reiko Kuroda, pesquisadora do Departamento de Ciências da Vida na Universidade de Tóquio, considera fundamental o desenvolvimento de políticas públicas que promovam a inovação a partir da cooperação internacional para ajudar a resolver grandes problemas como pobreza, educação e migração. “Inovação é a chave para melhorar a qualidade de vida das pessoas”, propôs.
 
A pesquisadora lembra que, no Japão, a inovação tecnológica está ajudando a reduzir os riscos de desastres naturais, como terremotos e furacões. “Um exemplo desse trabalho é um sistema de alarme que mostra a magnitude e o epicentro do fenômeno”, disse. Ela alerta que é importante definir e diferenciar invenção de inovação. ” Inovar é fazer diferente e melhor, mas sem inventos não há inovação”, explicou.
 
Também para Umar Buba Bindir, diretor geral do Serviço Nacional de Aquisição e Promoção de Tecnologia da Nigéria, a inovação precisa estar conectada à sustentabilidade e ao bem estar das pessoas. “Em meu país mais de 50% da população é extremamente pobre. Para nós, a ciência, tecnologia e inovação podem ajudar a criar mais empregos”, disse.
 
Ambos os pesquisadores participaram do debate “O papel fundamental da inovação científica” realizado nesta terça, dia 26, durante o 6º Fórum Mundial de Ciência (FMC), no Rio de Janeiro. Coordenada por József Pálinkás, presidente da Academia de Ciências da Hungria, a mesa também teve a participação de Carlos Tadeu Fraga, gerente executivo da Petrobras e Álvaro Prata, secretário de Desenvolvimento, Tecnologia e Inovação do MCTI, representando o ministro Marco Antonio Raupp.
 
József Pálinkás introduziu o tema afirmando que a ciência e a inovação podem e devem caminhar juntas. “A relação ciência e inovação é complexa, mas fundamental. Inovar significa ter pessoas criativas e treinadas em pesquisa também”, observou.
 
Cenário brasileiro – Álvaro Prata, do MCTI, disse que a boa ciência é o pilar da inovação. “Como promover inovação e transformar tecnologia em educação e vice-versa? O Brasil está inovando?”, questionou. De acordo com ele, o cenário brasileiro é positivo com investimentos em educação e uma economia forte – a sétima do mundo, podendo chegar ao 5º lugar até o final da década.
 
Prata declarou que o Brasil tem um bom sistema de universidades e registra mais de 14 mil doutores graduados por ano. Outros bons exemplos, segundo ele são a Plataforma Lattes que permite o acesso aos currículos de qualquer cientista brasileiro, a Biblioteca Virtual do MCTI com publicações científicas e o Programa de Iniciação Científica. “Mas nossa ciência precisa se converter mais em benefícios econômicos e sociais. A inovação ainda não chega às indústrias, por conta disso estamos importando cada vez mais produtos industrializados. Estamos promovendo vários esforços para mudar esse quadro”, afirmou.
 
De acordo com Prata, para promover essas mudanças o governo federal determinou algumas metas: expandir e fortalecer a democracia, crescimento da economia, desenvolvimento industrial, proteção ao meio ambiente e erradicação da pobreza. “Com esse plano pretendemos promover uma grande mudança nos próximos dez anos, tendo como prioridades a educação, a ciência, a inovação e o empreendedorismo”, planeja.
 
Carlos Tadeu Fraga, da Petrobras, falou sobre a trajetória da empresa, que hoje é a maior da América Latina na área de petróleo e gás. “Desde o início, a Petrobras sempre teve o foco em pesquisa e desenvolvimento”, disse. Segundo ele, o centro de pesquisa da empresa, o CENPES (Centro de Pesquisas e Desenvolvimento Leopoldo Américo Miguez de Mello) conta com mais de cem laboratórios, 908 pesquisadores e 310 engenheiros.
 
De acordo com Fraga, a estratégia da empresa está alinhada a um bom relacionamento com a academia. “Não só a Petrobras, mas acredito que todas as empresas instaladas no país deveriam investir nessa aproximação com as universidades brasileiras”, aconselhou. Para ele, inovação é um trabalho conjunto que deve criar oportunidades e benefícios para a população.
 
(Edna Ferreira / Jornal da Ciência)