Foco, prazer e curiosidade: os conselhos das cientistas premiadas pela SBPC

Assista aos vídeos das três vencedoras do 5º Prêmio “Carolina Bori Ciência & Mulher”, promovido pela SBPC

Com carreiras brilhantes, contribuições inestimáveis para a ciência brasileira e um legado de centenas de orientandos formados pelo País, as três vencedoras do 5º Prêmio “Carolina Bori Ciência & Mulher” compartilharam um pouco de sua sabedoria em vídeos publicados pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), em seu canal no YouTube.

Yvonne Mascarenhas, Maria Manuela Carneiro da Cunha e Regina Pekelmann Markus contam sobre suas trajetórias, os desafios e o que as motivaram e continuamente as inspiram nessa paixão pela carreira científica. As três cientistas também deixaram mensagens de incentivo e encorajamento para as meninas e mulheres que desejam fazer parte desse universo fascinante da Ciência.

Yvonne Mascarenhas é química e é referência na área de Cristalografia no Brasil. Ela é a vencedora desta edição do Prêmio na área de Ciências Extadas e da Terra. Aos 92 anos, ainda é atuante, como colaboradora e professora aposentada em exercício, no Instituto de Física de São Carlos (IFSC). Pioneira na área, ela conta que recebeu muito apoio para disseminar a cristalografia no Brasil e que o relacionamento com pessoas de diversas áreas do conhecimento abriu portas na sua carreira. Contudo, ela observa que tal abertura não é regra e que a carreira científica costuma ser bastante desafiadora para as mulheres.

“A vida principalmente para as mulheres não é tão tranquila. (…) Mas se a pessoa deseja seguir uma carreira – científica ou cultural – ela tem que ter foco, e não perder o foco. E persistir, apesar das dificuldades que ela eventualmente possa ter, como precisar diminuir a carga de trabalho por causa de uma gravidez, ou de criança muito pequena…tudo isso. A coisa principal é a persistência. Foco e persistência”, aconselha.

Assista ao vídeo completo de Yvonne Mascarenhas neste link.

Maria Manuela Ligeti Carneiro da Cunha é a vencedora na área de Humanidades desta 5ª edição do Prêmio Carolina Bori “Ciência & Mulher”. Atuando em temas como etnologia, história e direitos dos índios, escravidão negra, etnicidade, conhecimentos tradicionais e teoria antropológica, ela é uma referência da Antropologia no Brasil. Nascida em Portugal, formada em Matemática em Paris, se aprofundou na antropologia como aluna de ninguém menos que Claude Lévi-Strauss. É, além de tudo, uma voz ativa na política indigenista brasileira e considera que suas maiores vitórias como antropóloga foram, de fato, na arena política.

Em seu depoimento, destaca as oportunidades que a Antropologia oferece a quem busca estudar e defender os direitos indígenas e ressalta o valor de encontrar uma área de atuação que dê prazer de atuar. “Tenham prazer no que fazem. Nós temos uma vantagem enorme enquanto cientistas, porque a aposentadoria não nos atinge, sobretudo aqui no Brasil. Podemos continuar a pesquisar, orientar estudantes, inclusive os pós-docs. Portanto, continuamos fazendo parte da comunidade e tendo contato com as outras gerações. Não há aquela tristeza que outras profissões trazem. E isso é um grande privilégio”, diz.

Assista ao vídeo de Maria Manuela Carneiro da Cunha aqui.

Regina Pekelmann Markus é biomédica e farmacologista e recebe o 5º Prêmio “Carolina Bori Ciência & Mulher” na área de Biológicas e Saúde. Suas pesquisas mais importantes são desenvolvidas na área de Cronofarmacologia, com ênfase no papel da melatonina sobre a resposta inflamatória e câncer – ela é responsável por introduzir o conceito de Eixo Imuno-Pineal.

Em seu depoimento, destaca o quanto o incentivo que recebeu desde a infância para fazer perguntas foi importante para sua carreira de cientista. Segundo ela, a grande importância está em saber olhar, observar e perguntar. “A curiosidade em alguns, vai se tornar em desejo de perguntar.”

Assista aqui ao vídeo de Regina Pekelmann Markus.

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