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Ciência golpeada

substituição de Marco Antonio Raupp no Ministério da Ciência e Tecnologia foi um duro golpe para a comunidade científica brasileira. A presidente Dilma Rousseff (PT) fez uma opção política, tentando preservar o "espaço" de Minas Gerais na Esplanada dos Ministérios, e criou nova situação de descontinuidade administrativa em uma pasta estratégica para o país. Como tem ressaltado a direção da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência), desde que o Ministério da Ciência e Tecnologia foi criado, em 1985, a pasta tem sido usada com frequência em operações de barganha política entre o Palácio do Planalto e o Congresso. O recordista em mudanças foi Fernando Collor, com três ministros da Ciência e Tecnologia em pouco mais de dois anos.
Saída de Raupp confirma Fragilidade de ministério
A substituição de Marco Antonio Raupp no Ministério da Ciência e Tecnologia foi um duro golpe para a comunidade científica brasileira. A presidente Dilma Rousseff (PT) fez uma opção política, tentando preservar o “espaço” de Minas Gerais na Esplanada dos Ministérios, e criou nova situação de descontinuidade administrativa em uma pasta estratégica para o país.
Como tem ressaltado a direção da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência), desde que o Ministério da Ciência e Tecnologia foi criado, em 1985, a pasta tem sido usada com frequência em operações de barganha política entre o Palácio do Planalto e o Congresso. O recordista em mudanças foi Fernando Collor, com três ministros da Ciência e Tecnologia em pouco mais de dois anos.
Por conta da afinidade política histórica com área de pesquisa, quando o PT conquistou o Palácio do Planalto, muita gente acreditou que a instrumentalização política do ministério chegaria ao fim. Em vez disso, o Ministério foi transformado em feudo do PSB e prestou-se a investimentos em projetos de eficácia duvidosa, como  patrocínio da viagem do primeiro “astronauta” brasileiro ao espaço e o acordo Brasil-Ucrânia para a base de foguetes.
Com Raupp, a presidente Dilma Rousseff (PT) afastou parte dessa enviesada relação com a política e deu oportunidade para que o ministério retomasse a análise dos programas prioritários para a ciência e tecnologia no Brasil. Era um trabalho incipiente, às vezes atrapalhado por opções equivocadas, mas um sopro de esperança para a comunidade científica. O novo ministro, Clelio Campolina, também vem do meio acadêmico, mas será um assessor tampão: se Dilma se reeleger, o Ministério da Ciência e Tecnologia certamente será colocado na mesa das barganhas políticas para composição do novo governo.
Desde a criação do Ministério, são quase três décadas perdidas sem que a ciência e tecnologia se torne de fato uma prioridade de governo no Brasil.