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Cortes podem impactar pesquisas em longo prazo

“Cortes nas áreas de ciência e educação são medidas que vão impactar consideravelmente o futuro da pesquisa desenvolvida no País”, afirmou Helena Nader, presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), em palestra, no dia 23 de outubro, na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em Belo Horizonte (MG). Com o tema Ciência, tecnologia e financiamento à pesquisa, a atividade integra programação da Semana do Conhecimento, que foi encerrada na última sexta-feira.
“Cortes nas áreas de ciência e educação são medidas que vão impactar consideravelmente o futuro da pesquisa desenvolvida no País”, afirmou Helena Nader, presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), em palestra, no dia 23 de outubro, na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em Belo Horizonte (MG). Com o tema Ciência, tecnologia e financiamento à pesquisa, a atividade integra programação da Semana do Conhecimento, que foi encerrada na última sexta-feira.
A presidente da SBPC destacou que o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) completou, neste ano, três décadas de existência e ressaltou sua importância para a pesquisa e para a pós-graduação desenvolvidas no Brasil. Segundo Nader, dados recentes colocam o País em 13ª posição no mundo em número de trabalhos publicados em periódicos indexados.
“Publicamos em revistas importantes e nossos artigos alcançam número relevante de citações. Hoje ocupamos o 18º lugar em número de citações no mundo”, afirmou a cientista, que refutou críticas que tentam relativizar a relevância do trabalho feito por pesquisadores brasileiros. “Temos hoje, nas pesquisas brasileiras, apenas um terço de autocitações. Os Estados Unidos, por exemplo, são o país que mais utiliza esse recurso”, explicou.
Dados apresentados por Helena Nader mostram que, de 1985 a 1989, o país teve 10 mil artigos publicados. Entre 2010 e 2014, 150 mil artigos de pesquisadores brasileiros foram divulgados em publicações internacionais. “É importante ressaltar também o número de artigos de revisão [escritos por meio de convite] publicados por pesquisadores do País, cujo aumento foi considerável a partir do ano 2000”, destacou. Em relação ao número percentual de artigos publicados no mundo, o Brasil saltou de 0,5%, no período de 1985 a 1989, para 3% nos últimos cinco anos.
“Naquele período, Brasil, México, Argentina, Chile e Colômbia se encontravam praticamente juntos em número de publicações no cenário internacional. Hoje, o Brasil se destaca”, comparou Nader.
Em relação à distribuição dos programas de pós-graduação no País, a presidente da SBPC destacou o avanço ocorrido a partir de 2005. Em 1998, seis estados ainda não contavam com nenhum programa: Acre, Piauí, Rondônia, Roraima, Tocantins e Amapá. Em 2005, apenas este último ainda não possuía cursos de pós-graduação, situação que se alterou há dois anos, em 2013.
“Isso mostra que temos argumentos sólidos para brigar por mais recursos para ciência, tecnologia e pesquisa. Essa mudança no cenário nacional é algo que vai impactar gerações”, afirmou.

Desafios do País
A inovação, segundo Nader, ainda é um desafio para o Brasil, que ocupa a 64ª posição em uma lista em que figuram 142 países, atrás de outros latino-americanos, como Uruguai, Argentina, Colômbia e México. “O ambiente brasileiro não é favorável à inovação. Não fosse a qualidade das nossas universidades, estaríamos em situação pior”, explicou.
Em relação a patentes, em 1999, o Brasil registrou cerca de 200 pedidos na USPTO (United States Patent and Trademark Office), obtendo aproximadamente 100 concessões. Em 2013, o número de pedidos de registro mais que triplicou, chegando a 700, mas a quantidade de concessões apenas dobrou, de 100 para 200.
“Precisamos de políticas sólidas e investimentos para ampliar a ciência, a tecnologia e, principalmente, a inovação no país. Além disso, é preciso corrigir as distorções na distribuição dos programas de mestrado e doutorado entre as regiões brasileiras, dando continuidade à política de expansão do sistema de ensino de pós-graduação nacional”, defendeu Nader.
SBPC na UFMG
Em 2017, ano em que completa 90 anos, a Universidade sediará, pela quinta vez, a reunião anual da SBPC. A candidatura da UFMG, que já abrigou quatro edições da reunião – em 1965, 1975, 1985 e 1997 –, foi apresentada aos dirigentes da sociedade no dia 11 julho deste ano pelo reitor Jaime Ramírez.
Cinco dias depois, a escolha foi anunciada pela presidente Helena Nader, em assembleia da entidade. Na época, uma edição especial do Boletim UFMG foi produzida para subsidiar a apresentação da candidatura da Universidade.